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Carnaval do Bate-Bola (ou Clóvis)

Dica do Carlos.

“Mas é carnaval!” e os mascarados estão soltos por aí. As turmas de bate-bola são uma tradição do carnaval carioca, especialmente nas zonas norte e oeste do Rio de Janeiro.

Longe dos holofotes do sambódromo e das escolas de samba, os Clóvis (uma variação abrasileirada de clown), como também são conhecidos, desfilam, divertem e até assustam quem assiste suas brincadeiras.

O texto original de hoje é uma foto-reportagem publicada pelo jornal francês Le Monde. Espero que gostem!

Sugestão de leitura:

Mergulho no subterrâneo carioca do Rio

Vincent Rosenblatt

Longe das praias, dos belos bairros e do desfile oficial de carros alegóricos, as Cobras de Madureira, Os Índios de Marechal Hermes e os Abusados da Agonia fazem seu carnaval. Com seus DJs eles celebram a cada ano um carnaval “off” audacioso e criativo nos bairros periféricos do Rio: o Bate Bola.

Um grupo de amigos experimenta as fantasias de palhaço do carnaval do ano passado, no bazar da Tia Regina, no bairro Marechal Hermes, Zona Norte do Rio. Depois de cada carnaval, os palhaços “quebrados”, que fizeram de tudo para se dar uma fantasia da sua turma, revendem-a por alguns reais. Com a chegada de um novo carnaval, aqueles que não podem se dar uma fantasia nova recorrem à Tia Regina para comprar uma usada.

Júlio é o costureiro da turma de palhaços “Agunia”, reconhecível pelos tons azuis e batidos de uma águia, mostra a fantasia do grupo para o carnaval de 2008. Para Júlio, este já é seu 25o carnaval como Bate Bola…

Olhares de inveja sobre uma criança do bairro cujos pais conseguiram dar uma fantasia… Últimos preparativos antes da saída da turma d’Os Índios, no bairro Guadalupe, zona norte do Rio de Janeiro.

Em Madureira, a fachada do quartel general da temida e respeitada turma de palhaços “Agunia”. Cada estrela ao redor da águia guarda a lembrança de um membro falecido.

O diabo acompanha o clã da Agonia. Este é o grande dia, tão esperado, da sua saída anual.

Os “Bate Bola” da banda d’O Índio vagam pela praia de Copabacana depois de uma noite passada nos bairros da periferia da cidade. “A gente aluga um ônibus para fazer mais bairros e se fazer conhecer” diz o líder Marcelo, líder do grupo há 24 anos.

Grande concurso de melhor fantasia, no centro da cidade, a maioria dos grupos de Bate Bola desfila para apresentar sua criação, cujo custo pode chegar a 600 euros por fantasia.

Um membro da turma de palhaços “Abusados”, da Cidade de Deus. Últimos preparativos antes da saída anual do domingo de Carnaval, no coração da favela.


A turma dos “Abusados”, da Cidade de Deus faz sua saída anual no domingo de Carnaval, no coração da favela. Entoando gritos de união, eles se preparam para desfilar e se divertir durante os quatro dias de carnaval em todos os bairros do Rio.

Um palhaço da Turma do Índio cochila em Copacabana, onde pouco a pouco o resto da tropa chega. “Um pouco de cachaça mais o anonimato da máscara e todo mundo se solta! A gente volta à infância!” diz o líder Marcelo, líder d’O Índio há 24 anos.

O grupo de Bate-Bola d’O Índio é um dos mais importantes da Zona Norte do Rio. Baseado no bairro de Guadalupe, eles passaram de 200 membros em 2011. Naturalmente pacíficos, eles abandonaram a famosa bola que os palhaços batiam no solo fazendo um barulho assustador. No seu lugar, uma sombrinha elegante. A cerimônia de fogos de artifício precede sua invasão e desfiles em outros bairros da cidade.

Publicado originalmente aqui.

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